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Conheça a Soldado Maia, a única mulher a concluir o curso do Comando Tático Rural (COTAR)


 Conheça Laurice Sinara Moura Maia, a Soldado Maia do Pelotão Especial do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Ela não pediu para sair. Passou fome, calor, sede, frio e falta de higiene… Igual a personagem de Demi Moore em Até o Limite da Honra (G.I. Jane, 1997), a PM cearense raspou até a cabeça. E foi a única mulher a concluir o curso do Comando Tático Rural (COTAR), realizado durante 42 dias no interior do Estado. Dos 170 policiais inscritos, 56 passaram pelos testes físicos inciais, e somente 30 finalizaram o treinamento, entre eles a Soldado de 30 anos que disse não ter pensado na possibilidade de desistir ao longo do curso.

Tabu

Além de visar uma qualificação profissional, a PM Maia, fez o curso motivada pela falta de confiança dos colegas policiais e para superar o preconceito que as mulheres ainda sofrem. “Eu fiz o curso para quebrar o tabu de que mulher só pode ficar atrás do balcão com os problemas burocráticos. Eles diziam que eu não passaria dos dois primeiros dias, mas depois deram parabéns e sentiram orgulho de mim.”

Vaidade

O único momento em que vaidade feminina aflorou foi quando, no meio do curso, teve que cortar os longos cabelos lisos para continuar entre os homens. “Eu chorei, mas eu tinha que seguir as regras.” Cabelo raspado, orgulho intacto e o sonho continuava vivo.

Testes

A soldado foi uma das melhores nas provas aquática – três dias no açude Castanhão em Jaguaribara (CE) – e de sobrevivência – cinco dias dentro da mata sem tomar banho e tendo que caçar a própria comida.

“Eu tentei usar o psicológico, tentei manter a calma para realizar as tarefas. Tive companheiros que desmaiavam ao meu lado.” A maioria das desistências aconteceram nos momentos tensos no sertão do Ceará, considerada por ela como a parte mais difícil do percurso. “Era um preparatório para resistência real e a novos desafios, uma região muito seca, a gente vivia em situação limite” explica.

Segundo a soldado Maia, todas as atividades do treinamento são feitas para preparar a tropa a se antecipar aos fatos. “Em caso, por exemplo, de fuga de bandidos pela mata fechada, nós temos que estar preparados.” Quando questionada se teve dúvidas, a PM é segura e afirma que entrou sabendo o que queria fazer. “Sempre quis ser da polícia para pertencer ao Batalhão de Choque“.

Ela destacou ainda a união, um dos lemas do Choque, que foi fundamental para o sucesso da tropa, tanto que os monitores também participavam das tarefas. “As parcerias não só eram permitidas como eram necessárias”.

Força Nacional

Quase no fim do curso do COTAR, a Soldado Maia também participou do teste de aptidão física da Força Nacional. Mesmo sem ter se recuperado do esforço físico e mental do treinamento, ela conseguiu ir muito bem, deixando para trás cerca de 50 homens, todos os demais candidatos, na prova aquática. Porém, Maia não pode realizar o teste da corrida, porque não poderia faltar ao COTAR.

Coragem, sacrifício e força são valores que parecem não faltar a essa guerreira, que pretende participar de novos cursos e concluir em 2014 o que ficou pendente: a preparação para a Força Nacional. Com o seu currículo e força de vontade, o sonho foi apenas adiado, porque com a PM cearense, missão dada é missão cumprida.

 Tribuna do Ceará

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