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Campanha invade celebrações religiosas



Na reta final da campanha, o debate político ganha fôlego e tem "invadido" setores da sociedade como a Igreja, colocando em xeque a neutralidade das instituições religiosas diante da polarização na disputa eleitoral. No Ceará, a romaria de São Francisco das Chagas, em Canindé, que acontece até a próxima quinta-feira (4), por exemplo, é rota certa de postulantes, por ser um evento que reúne milhares de fiéis. Não bastasse a investida de figuras políticas do cenário local, porém, a Igreja também se tornou palco de manifestações a favor e contra candidaturas à Presidência da República. Um reflexo da divisão que vive o País nas eleições deste ano.

No último dia 16 de setembro, a poucos dias do início da Romaria de São Francisco, que acontece desde a última segunda-feira (24), um fiel que participava de missa no Santuário de Canindé aproveitou um espaço reservado para avisos ao final da celebração religiosa para convocar todos os presentes a participar de um ato político a favor do ex-presidente Lula (PT).

Episódio

O vídeo do episódio, que circula nas redes sociais, mostra que fiéis contrários ao ex-presidente petista reagiram, imediatamente, e manifestaram apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), aos gritos de "mito", em referência ao militar. O ato provocou uma nota de repúdio do reitor do Santuário, frei Marconi Lins, que gravou um vídeo criticando o uso político e "desrespeitoso" do "recinto sagrado" para mobilizações políticas a favor e contra determinadas candidaturas.

Depois do episódio, na semana passada, em outra celebração no mesmo Santuário, a participação de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) gerou protestos de grupos de romeiros que entenderam aquele ato como político. O Diário do Nordeste visitou Canindé, ontem, e constatou que o clima entre fiéis e moradores da cidade é de irritação com a "interferência" de bandeiras políticas nas festividades religiosas.

"A gente vê com tristeza, porque é uma coisa que todos deveriam vir com o intuito de oração e vêm com espírito armado de querer se promover por uma coisa que a gente sabe que existe a briga (política) hoje e amanhã estão todos bem. Não devemos trocar uma coisa certa que é a nossa religião por política", argumentou o comerciante Cícero Paulino, 44 anos, natural de Canindé e um dos organizadores da tradicional romaria.

Ele afirmou não ver influência de lideranças religiosas na disputa eleitoral, mas "pessoas infiltradas" na Igreja, militando em prol de determinado candidato. "A Igreja é feita por pessoas, e tem pessoas que não sabem dividir o que é certo e o que é errado, não sabem dividir o que é religião e o que é política. Uma coisa que é independente uma da outra".

Pessoas de fora

Para a vendedora Valdira Souza, 30 anos, o episódio do último dia 16 foi "combinado" entre grupos de romeiros. Ela frisou que aquela missa foi organizada por grupos da Moto Romaria de Fortaleza. "Todo ano, quando eles vêm, a Paróquia cede espaço para eles realizarem a missa. Tudo é deles, até quem canta, comentarista, tudo é deles, e aconteceu, justamente, na missa deles".

"O pessoal diz assim: 'Ah, Canindé acordou'. Só que Canindé não teve nada a ver com isso, porque quem fez a polêmica toda foram os de fora. O que a maioria da gente pensa a respeito disso é que isso aí tinha sido combinado, porque nunca aconteceu isso e é, justamente, no dia que vem uma romaria grande", completou Valdira.

O policial militar Evandro Oliveira, 56 anos, natural da região, criticou o uso do evento religioso para promover debate político. "As pessoas confundiram as coisas. Não era para haver esse tipo de manifestação aqui, numa área em que acontecem celebrações, nada a ver. Tem tanto canto para as pessoas se manifestarem: um bar, lá no campo de futebol", exclamou.

Responsabilidade

O frei Marconi Lins, por sua vez, reconheceu que a Igreja acaba sendo "utilizada" por grupos políticos, principalmente, no período eleitoral, mas ressaltou o papel "evangelizador" que a instituição tem de conscientizar a comunidade católica sobre a importância do envolvimento na política. Sem levantar, porém, bandeira de nenhum partido.

"A missão da Igreja é trabalhar o coração da pessoa para que se sinta responsável pela vida que é de Deus, então, nesse sentido, a Igreja tem um papel evangelizador, mas que incide na realidade", defendeu. "Por exemplo, temos que ser responsáveis no voto que damos, não podemos nos vender, temos que ver bem a vida e o projeto dos candidatos, temos que ver o projeto do partido. É uma grande responsabilidade nossa".

   Diario do Nordeste
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