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Escutas mostram ameaças de membros do PCC no Rio a diretores de presídios: 'Tem que matar'




 Rio - A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a Operação Expurgo, para combater o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa de São Paulo, em outros seis estados do país, inclusive no Rio de Janeiro. Ao todo, sete mandados de prisão foram cumpridos no Rio. Escutas telefônicas mostram membros do PCC falando em "matar diretor" de presídio.

"Botar um rádio pra dentro do sistema, o raio X entrega...(inaudível). Me diz como chega lá que eu desenrolo. Não adianta: se for oprimir visita tem que matar diretor ou o chefe da guarda, não tem nem argumento, o crime é o crime. Não tem nem ideia, cadeia, dia de briga, tem que queimar a cadeia, só não mata os companheiros, (inaudível). Tem que ter um puxando o bonde, mais cedo ou mais tarde acontece isso", diz, em um dos áudios obtidos, um membro não identificado.


Na cidade do Rio, Rafael Barreto Cobra, conhecido como Digato, foi preso em Realengo. Os outros seis alvos no estado já estavam presos - cinco no Complexo de Gericinó e um em Três Rios, no interior fluminense. A Polícia Federal também cumpre outros 20 mandados de prisão e busca e apreensão em São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul.

PCC atua como 'associação' nos presídios

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Bangu. Segundo a PF, os líderes dessa quadrilha no Rio, mesmo presos, gerenciam grupos de dentro dos presídios, onde passam ordens e tomam decisões para todo o bando. A organização tem uma hierarquia e disciplina bem definidas, com estatuto próprio e com os chamados 'salves', comunicados internos para membros dentro e fora das prisões. Nos 'salves', a facção espalha informações sobre novas parcerias, novos rivais e até sobre a condição de saúde de detentos.

Em escuta telefônica, um preso identificado como 'Da Leste' informa a 'Bigode',apontado como seu superior na hierarquia, que um dos membros do PCC pulou de facção e trocou de ala no presídio Bangu IV. "Foi pro seguro mano, não quis falar pros irmãos, não (o motivo da troca). Não queria dar papo pros irmãos, falou que ia mudar de galeria, saiu saindo, mano, lá em Bangu IV", comenta.


Ligação com outras facções

As investigações, iniciadas em dezembro de 2018, mostram que a prioridade do PCC no Rio não é se consolidar em territórios, mas formar alianças com outras facções para ampliar sua rede de tráfico. Em uma conversa em outubro de 2019, 'Da Leste' comenta sobre negociar armas e drogas com um conhecido que trabalha para o Terceiro Comando Puro (TCP), facção que domina parte das favelas do Complexo da Maré.

"Ele também vai te mostar a direção, porque aqui o espaço que ele tem é grande, dos amigos que ele conhece do TCP, entendeu? Ele trabalha é dentro da Maré, aqui em cima em Volta Redonda. Ele tem umas conexões aqui", diz 'Da Leste'. "Ele distribui, mano, de dentro do Complexo da Maré, que é do TCP [...] se a gente conseguir fazer esses trâmites vai ser bacana para nós. Não vejo a hora de ir para a rua, mano. É fuzil, é munição, tem tudo. Aquele AR está em mãos também?", questiona. Outro homem não identificado responde: "ele quer 35 mil baratinho, tá em mãos, sem usar. Está totalmente dentro da caixa desmontado (sic)".


O Dia

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